Língua falo lengua Galeria Van Riel 2008

Ileana_Hochmann_expo_Lengua_falo_arte_erotismo

Quando me instalei de novo em Buenos Aires — depois de décadas longe não tinha ainda atelier — vi um anúncio de uma Casa de Ofícios Papelera Palermo. A proposta dirigida a artistas com trajetória cujo objetivo fosse concretizar um projeto, tendo a frente a gravadora Andréa Moccio, artista com grande domínio da serigrafia.

Lá, dei inicio a impressão de uma serie de imagens, nunca iguais, sempre interligadas onde as mascaras de papel, matrizes “de um modo ou de outro, tocados pelo signo da palavra”* vão tomando a forma de uma língua.

Rabiscos e comentários em um caderno do dia a dia, vão nomeando os falolenguas ou falolinguas.

O erotismo do branco leitoso sobre preto, falar igual a hablar, eu falo a língua, registros desta brasilidade minha antropomórfica, lambendo as beiras do marrom e profundo Rio da Prata.

As gravuras serão montadas então na galeria Van Riel num grande painel de três módulos. Outro setor onde a presença do corpo atravessa a instalação na galeria são os tensores onde longas transparências de acetatos impressos e superpostos  mexem suavemente – “Os colgados”. Desdobramentos dos trabalhos da mostra Boarding Pass, Galeria 90 Arte Contemporânea, Rio de Janeiro.

“Verticalidade, dobra, desdobra. Amassa, faz uma bola, estica, processo natural de dissecação de uma folha de bananeira. Horizontalidade e descanso. Todos de um modo ou de outro tocados pelo signo da palavra”, diz Mercedes Casanegra, historiadora de arte, crítica e curadora.



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